Na região sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, a etnia indígena com a maior população no Brasil luta silenciosamente por seu território para tentar conter o avanço de poderosos inimigos.Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
Crescimento Populacional X Recursos Naturais
Segundo projeções demográficas, a população mundial atingirá, muito em breve, a marca de sete bilhões de habitantes. O primeiro bilhão de habitantes foi alcançado no inicio do século XIX.
O crescimento desenfreado da população mundial traz muitas preocupações, principalmente quando se observa a demanda por alimentos, por recursos naturais e pela geração de energia.
A partir da Revolução Industrial é possível observar um aumento significativo do consumo de água per capita. Ao mesmo tempo em que se vê o aumento desse recurso, contempla-se a setuplicação do número de pessoas no planeta, ou seja, há cada vez mais pessoas consumindo muito mais recursos naturais, principalmente a água.
A demanda por novas áreas agrícolas tem provocado a devastação de inúmeras áreas florestais, causando danos irreparáveis à fauna e à flora. A expansão de culturas comerciais provoca a devastação de ecossistemas e, do ponto de vista social, a supressão de áreas destinadas às culturas alimentares e à agricultura familiar, que estão sendo substituídas por monoculturas.
No estado de São Paulo, motivadas pela expansão dos carros flex, as lavouras de cana tornaram-se hegemônica, o que eliminou o cultivo de arroz, feijão, milho e outras culturas alimentares.
Quantos aos impactos sociais e ambientais como o desmatamento, a competição entre áreas bicombustíveis e de alimentos, a erosão do solo, a pressão sobre os recursos hídricos e a ditadura das multinacionais que impõe produtos que não oferecem segurança biológica, como é o caso das plantas transgênicas, esse modelo capitalista de produção e ocupação do espaço preocupa muito.
Torna-se salutar mensurar as conquistas tecnológicas alcançadas no setor agropecuário, principalmente no tocante a biotecnologia. Todavia, não podemos ocultar os impactos sociais e ambientais causados pela necessidade de produção de energia limpo.
SUGESTÕES EM VIDEO
É apenas o trailer, mas retrata as conseqüências diretas da expansão da monocultura da cana.
http://www.youtube.com/watch?v=F8GtP96oJ1I
Focaliza os impactos decorrentes da monocultura da cana, porém a resolução não está muito boa.
http://www.youtube.com/watch?v=9K7_2XHuBLg
domingo, 21 de agosto de 2011
'Guardian': Discussão sobre etanol expôs más condições em canaviais
"Países desenvolvidos estariam forçando mudanças na prática de trabalho no setor.
O destaque dado ao etanol na discussão travada sobre vantagens e desvantagens dos biocombustíveis expôs as condições de trabalho dos cortadores de cana no Brasil e forçou mudanças no setor canavieiro, afirma uma reportagem publicada na edição desta quinta-feira do jornal britânico The Guardian.
"As condições de trabalho dos cortadores de cana eram raramente observadas quando a mercadoria exportada era o açúcar, mas isso mudou agora que o Brasil é o segundo maior exportador mundial de etanol à base de cana", diz o texto.
Intitulado O sol se põe sobre os cortadores de cana brasileiros, o texto destaca a mecanização dos canaviais imposta pelos países desenvolvidos, que estão focados na produção brasileira de biocombustível.
Segundo a reportagem, a substituição do trabalho manual deixaria cerca de 500 mil cortadores de cana sem emprego.
"Meio milhão de empregos e cinco séculos de tradição serão eliminados da crescente indústria de cana-de-açúcar brasileira para satisfazer a demanda ocidental por práticas de trabalho mais justas no setor dos biocombustíveis", diz a reportagem.
'Contos'
Segundo o texto, o interesse em eliminar a prática dos cortadores de cana esconde ainda mais um "conto" sobre a exploração nos canaviais que já prejudicou a imagem do Brasil em importantes países importadores de biocombustíveis, como a Suécia e a Grã-Bretanha.
A reportagem destaca o crescimento da produção de etanol no Brasil em 2007, "com um recorde de 22 bilhões de litros, dos quais 4 bilhões foram exportados".
No entanto, o texto afirma que o "sonho" de aumentar a indústria para exportação de biocombustíveis pode ser ameaçado pelos argumentos dos críticos, que vão além dos "contos" sobre a exploração nos canaviais.
"Esse sonho está ameaçado, pois o setor dos biocombustíveis está atolado de argumentos como 'a comida pelo combustível' e a idéia de que o aumento no preço dos alimentos pode ser atribuído ao uso da terra para plantação de grãos", afirma a reportagem.
Críticas
A matéria do Guardian cita ainda outras críticas à produção de biocombustíveis no Brasil, como os danos ao meio ambiente provocados pelo trabalho manual na lavoura de cana-de-açúcar.
O texto cita também as preocupações com o desmatamento de algumas áreas da bacia Amazônica.
A reportagem cita alguns argumentos de Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), para rebater as críticas à produção brasileira de etanol.
Ele afirma que os subsídios aos agricultores e biocombustíveis nos Estados Unidos e Europa pode ser a causa do aumento nos preços dos alimentos. Segundo ele, o Brasil não estaria contribuindo para essa crise já que apenas 1% de terra arável é usada na produção de etanol.
reportagem destaca ainda que Jank "é enfático em afirmar que o aumento na produção de etanol não está afetando a Amazônia, indicando que a área seria muito úmida para plantação de açúcar". "
Estadão, 05 de junho de 2008 6h 24
sábado, 20 de agosto de 2011
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A produção do etanol x culturas alimentares
A aliança entre Brasil e os EUA na produção de etanol como fonte de energia é um grande negócio capitalista que tem como fundamento o lucro, sem pensar nos prejuízos para o meio ambiente e a substituição das terras agriculturáveis da produção de alimentos pela cultura da cana-de-açúcar, com vistas a produzir etanol, sendo a cultura da cana-de-açúcar responsável por 3,5% do PIB do Brasil que exporta cerca de US$ 8 bilhões. Os problemas ambientais são uma constante neste tipo de cultura por causa das queimadas que levam a uma atividade poluente e cada vez mais perdulária e estão sendo feitas leis ligadas ao meio-ambiente para proibir esta ação predatória. Os trabalhadores bóias-frias continuarão a ser explorados como acontece atualmente quando recebem R$ 2,50 por tonelada de cana cortada em Ribeirão Preto e na década de 80 o trabalhador volante fazia cinco toneladas de corte de cana por dia, mas com a mecanização passou a fazer oito toneladas diariamente. O trabalho dos cortadores de cana-de-açúcar é muito desgastante, pois cortam a cana curvados, usam roupas desconfortáveis para que não sejam feridos pela folha da cana e muitos utilizam drogas para agüentar o cansaço da jornada de trabalho, existem muitas mortes por esse motivo nos canaviais de todo o Brasil. A produtividade média do corte da cana é de cinco dias de trabalho por um de folga e o salário mensal R$ 500, 00, mas 50% dos trabalhadores do setor ganham menos que isso em todo o país.
O aumento do preço das terras agriculturáveis no Brasil é um fato com o objetivo de produzir etanol e isso deverá levar a mais concentração agrária em nosso país, pois os investimentos privados de empresas internacionais no setor devem aumentar bruscamente nos próximos anos. A Cargill maior grupo do mundo na área de comercialização de alimentos entrou de cabeça no mercado de energia comprando usinas para a produção de etanol em nosso país. O mercado de etanol movimentou um totalde US$ 6 bilhões no Brasil em 2005 e até 2010 deve chegar a US$ 15 bilhões. Os números dos negócios do álcool em 2005 foram os seguintes: US$ 2,9 bilhões com a venda de álcool para misturar à gasolina, US$ 2,2 bilhões com a venda de álcool combustível e mais uma série de atividades que totalizam US$ 6,2 bilhões. Das 5 maiores empresas produtoras de álcool no mundo duas são dos EUA e três estão no Brasil e são elas: a ADM (EUA), que produz 4 bilhões de litros anualmente; a Coopersucar (Brasil), que gera um total 2.700 milhões de litros por ano; a Cristalsev (Brasil), que tem uma produção de 1.030 milhões de litros em um ano; a Cosan (Brasil), que produz 1 bilhão de litros anualmente e finalmente a Versa Sun Energy (EUA), que tem uma produção de 871 milhões de litros por ano.
Na visão do MST está errada a política de substituição das culturas tradicionais pelos agro-combustíveis que na verdade não se preocupam com danos ambientais e para a saúde do ser humano e de outras espécies com o uso dos transgênicos na agricultura brasileira. Por outro lado, a posição da direção dos sem-terra é de que com a produção de etanol da cana-de-açúcar iremos voltar à monocultura, o que é muito prejudicial ao meio ambiente, pois destrói a biodiversidade e aumenta a incidênciade pragas nas lavouras, além de ser um grande incentivo ao êxodo rural, pois somente sobreviverão os grandes produtores e com isso a agricultura familiar será prejudicada e os trabalhadores rurais serão expulsos do campo e, na maioria das vezes, se tornarão bóias frias ou sem-terra. Esta ofensiva dos EUA para o uso dos agro-combustíveis é uma resposta à resistência ao império, à postura nacionalista dos governos da Venezuela e do Irã que usam o petróleo como forma de se defenderem das agressões militares de Washington em todo o mundo. Pelo acordo entre os governos dos EUA e do Brasil serão construídas um total de 100 usinas em território brasileiro para abastecer o mercado norte-americano de automóveis e isso é repudiado pelo MST que defende que a prioridade dos transportes em todo o mundo deveria ser coletivo e de massas, além dos movidos a energias alternativas não poluentes, como bicicletas, trens e metrôs.
Fonte: Essa matéria foi publicada na Edição 410 do Jornal Inverta, em 03/04/2007
http://inverta.org/jornal/edicao-impressa/410/Social/410etanol